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O contexto social e os meios de comunicação

De maneira geral, o movimento Constitucionalista expressou o conjunto de atitudes, crenças e sentimentos presentes no contexto social paulista daquele momento. Misto de realidade e mitos, a população estava imersa em um sentimento de superioridade, muito bem expressado pela ideia de que São Paulo era a “locomotiva” do país. Essa ideia nascera tanto do pioneirismo colonial do bandeirante, quanto do predomínio político e econômico do estado durante a República Velha.

Em termos sociais e culturais, havia a ideia do trabalho como base para o enriquecimento pessoal bastante reforçada pela presença dos imigrantes europeus que, com o tempo, haviam alcançado certa ascensão social e, em sua maioria, trabalhado duro nas lavouras de café e na indústria nascente. Nesse sentido, o “sucesso” paulista não era fruto do acaso, mas sim do trabalho árduo. Eram esses os valores, aspirações e tensões que compunham o imaginário social no período.

Esse quadro fez com que a propaganda ocupasse um papel de destaque, trabalhando para aglutinar a opinião pública em torno dos ideais constitucionalistas. Em nome do “sacrifício” representado pelo MMDC, eram convocados os bravos paulistas, trabalhadores e “herdeiros” do espírito bandeirante.

Todos os meios de comunicação disponíveis foram utilizados, comícios eram organizados em praça pública e em clubes e associações, além da distribuição de grande quantidade de panfletos e manifestos. Fachadas expunham cartazes e faixas conclamando a população a aderir ao movimento. Os jornais chamavam para a luta e procuravam manter elevado o moral dos soldados durante os meses de conflito, mesmo que para isso omitissem dados e informações.

Podemos destacar ainda a enorme importância do rádio. Tecnologia avançada na época, com não mais que dez anos de existência no país (as primeiras transmissões datam de 1922), esse meio de comunicação exercia grande fascínio em toda a população – tanto pela novidade quanto pela rapidez com que transmitia as informações – e foi utilizado pela primeira vez como veículo de propaganda política durante o movimento.

Assim, é possível perceber que a mobilização da mídia era completa: jornais e rádio, muitas vezes de forma sensacionalista, divulgavam inflamadas proclamações, hinos e contos literários com as ideias do movimento e o incentivo ao recrutamento e voluntariado.

Intelectuais e artistas também foram conclamados a manifestar seu apoio à causa, contribuindo para a criação de toda uma linguagem visual que marcou amplamente o período e que pode ser vista nos bônus emitidos pelo governo, nos cartões postais e distintivos militares, entre outros. Estes foram utilizados durante os meses de conflito, juntamente com grande quantidade de fotografias.

É dessa forma que, mesmo com a derrota nos campos de batalha, o que se cristalizou no imaginário paulista foi uma imagem vitoriosa de triunfo “moral” sobre o adversário, reforçada pela realização da Assembleia Constituinte (1933/1934) e reiterada à exaustão nos anos seguintes, por meio dos monumentos construídos em diversas cidades paulistas e das grandes comemorações da data.

 
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Arquivo Público do Estado de São Paulo