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O golpe de 1930 e a política paulista

Fruto de uma cisão entre as lideranças políticas de Minas Gerais e de São Paulo – estados que se revezaram quase ininterruptamente na presidência do país durante a Primeira República (1889-1930) – o Golpe de 1930 teve como um de seus resultados o fim da autonomia dos estados e, consequentemente, o da hegemonia paulista nos negócios da República.

São Paulo, antes de 1930, contava com dois partidos políticos de relevância: O PRP e o PD. O Partido Republicano Paulista (PRP), fundado em 1873, era o principal partido político da Primeira República (1889-1930). Hegemônico no controle da vida política do país, era o grande representante das oligarquias políticas vinculadas à economia cafeeira e das famílias tradicionais de São Paulo. Com o Golpe de 1930, seu poder político se esvaiu.

Já o Partido Democrático (PD), fundado em 1926, abrigava setores descontentes com o PRP e era formado, essencialmente, por fazendeiros e profissionais liberais da burguesia paulista. O PD apoiou a Aliança Liberal – coligação política responsável pela candidatura de Getúlio Vargas – ignorando certos pontos em que eram antagônicos como, por exemplo, a questão da autonomia dos estados em relação ao governo federal. Quando ocorreu o Golpe, o PD apoiou o movimento sem, na verdade, ter participado dele.

Pouco a pouco, o PD percebeu que não estava nos planos do governo de Vargas conceder autonomia a São Paulo. Em virtude disso, em 1931, o clima já era de animosidade entre as partes e, em 7 de abril, o PD lançou um manifesto no qual afirmava que São Paulo estaria “militarmente ocupado”. A sede do partido foi fechada e seu jornal – o “Diário Nacional” – também, ainda que de forma temporária.

O PD e o PRP, insatisfeitos com as ações de Getúlio Vargas – o PD, em especial, sentindo-se traído pelo Golpe que apoiou – ignoraram as desavenças de outrora e decidiram se unir, ainda que de forma instável, contra o inimigo comum: o governo de Getúlio Vargas e seus correligionários. Assim, sob a bandeira do constitucionalismo[*1] e contra a ditadura, é formada, pelos dois partidos, a Frente Única Paulista, lançando as bases para o Movimento Constitucionalista de 1932, que teria início em 9 de julho daquele ano.

 
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Arquivo Público do Estado de São Paulo